Desculpem as postagens interruptas, acho que estou meio deprê, mas é algo que passa.
Bem, estou tentando acompanhar esse caso da excomunhão no Nordeste. Acabou virando isso, porque era sobre um estupro chocante no qual a Igreja se meteu e conseguiu desviar e criminalizar a atitude das pessoas que foram vítimas.
Não é preciso repetir que a Igreja é anacrônica. Acredito que uma instituição religiosa não precise ser tão antiquada para manter sua doutrina. É necessário interpretá-la em relação aos tempos modernos, sob pena de retornarmos aos momentos de queimar cientistas em praça pública.
Daí pego o gancho para o assunto de hoje. Foi o dia internacional da mulher e o Vaticano, como todas as instituições do mundo, resolveu homenageá-las. Pois bem: a Folha de São Paulo noticia hoje que, segundo o L'Osservatore Romano, a máquina de lavar pode ter sido mais importante para a mulher que a pílula anticoncepcional.
Sim! É exatamente isso. Um grande avanço foi a máquina de lavar, não a pílula. Na minha concepção prosaica, parece que isso, ao contrário de homenagear as mulheres, está implicitamente dizendo que a função "natural" da mulher é a cozinha e que um invento que a ajude nessa função natural é muito mais interessante que outro que lhe permita aproveitar sua sexualidade sem necessariamente carregar o fardo de uma gravidez indesejada.
É a mesma Igreja que há menos de 3 séculos ainda queimava em praça pública mulheres que ousavam ser diferentes dos padrões sociais, sob a alegação que eram bruxas, praticavam feitiçaria, etc. É a mesma Igreja que até pouco tempo atrás era favorável à escravidão, sob diversos argumentos como a ausência de alma dos negros.
Pedir desculpas pelos erros do passado só vale a pena se você efetivamente não tem a intenção de cometê-los no futuro.
Ao criminalizar a conduta do aborto, mas não criminalizar o estupro, a Igreja mostra a sua verdadeira cara: para ela, dá uma boa saudade daqueles tempos em que ninguém questionava seu poder. Muito menos mulheres, numa Igreja que as diminui e coloca como mera subordinadas de homens dentro de uma hierarquia.
segunda-feira, 9 de março de 2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Orçamentos e crise
Peço desculpa aos leitores pela demora na postagem de um novo tópico. Estava na reta final para a defesa da minha dissertação lá no Coppead; tudo deu certo, ainda bem : )
Quero falar um pouco sobre um ponto que já havia mencionado anteriormente, que é a questão do orçamento público.
Foi publicada na Folha de São Paulo uma reportagem, segundo a qual o Nobel de Economia Paul Krugman diz que o Orçamento dos EUA pode mudar o rumo da Economia. Segundo o laureado, desta vez há a possibilidade de se compreender os rumos do país e o destino do dinheiro a ser gasto.
Quando trabalhava na Câmara aqui do Rio, tive alguns embates com uma consultora na área de orçamento público, Ester Inês Scheffer, que agora é Secretária de Planejamento de alguma cidade no interior do Mato Grosso, eu acho. Na visão dela, o orçamento deveria conter metas e resultados, de forma a possibilitar a mensuração da eficiência do gestor público.
Pensei muito sobre isso e acho que vale a pena um parcial mea culpa.
Talvez ela estivesse, de algum modo, certa, no sentido que no Brasil, como o planejamento é geralmente algum número próximo a zero, qualquer coisa que pudesse dar algum grau de satisfação em saber que o seu dinheiro está sendo bem usado possa ajudar.
Por outro lado, se há algo que o Mestrado em Adm me ensinou, é que existem várias formas diferentes de lidar com o mesmo problema. Como toda boa ciência social (e, nesse caso, peço permissão para escapar da discussão acerca da natureza científica dos estudos sociais), não há algo que seja inteiramente correto ou errado.
(continuo amanhã, tá bom?)
Quero falar um pouco sobre um ponto que já havia mencionado anteriormente, que é a questão do orçamento público.
Foi publicada na Folha de São Paulo uma reportagem, segundo a qual o Nobel de Economia Paul Krugman diz que o Orçamento dos EUA pode mudar o rumo da Economia. Segundo o laureado, desta vez há a possibilidade de se compreender os rumos do país e o destino do dinheiro a ser gasto.
Quando trabalhava na Câmara aqui do Rio, tive alguns embates com uma consultora na área de orçamento público, Ester Inês Scheffer, que agora é Secretária de Planejamento de alguma cidade no interior do Mato Grosso, eu acho. Na visão dela, o orçamento deveria conter metas e resultados, de forma a possibilitar a mensuração da eficiência do gestor público.
Pensei muito sobre isso e acho que vale a pena um parcial mea culpa.
Talvez ela estivesse, de algum modo, certa, no sentido que no Brasil, como o planejamento é geralmente algum número próximo a zero, qualquer coisa que pudesse dar algum grau de satisfação em saber que o seu dinheiro está sendo bem usado possa ajudar.
Por outro lado, se há algo que o Mestrado em Adm me ensinou, é que existem várias formas diferentes de lidar com o mesmo problema. Como toda boa ciência social (e, nesse caso, peço permissão para escapar da discussão acerca da natureza científica dos estudos sociais), não há algo que seja inteiramente correto ou errado.
(continuo amanhã, tá bom?)
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Corporação, reloaded
A pedido do Pachá, vou tentar desenvolver um pouco mais um tema que eu havia pensado há três dias. De fato, é mais um desabafo de alguém que estuda em uma escola de Administração que propriamente uma análise ultra-profunda sobre o tema, mas tem valor também.
Havia comentado que em Metropolis, a fantástica obra do Fritz Lang (1927), uma jornada considerada cansativa pelo Freder tinha 10 horas de duração. Tema que será revisitado no igualmente clássico Tempos Modernos, de Chaplin, acho que de 1936 (ou por aí), de um modo hilário e sério, que só alguém do porte do Chaplin saberia fazer.
Na análise de Andreas Huyssen (1982) sobre Metropolis, comenta que há uma visão dupla em relação à tecnologia: algo que pode ser tanto positivo para a sociedade quanto algo que pode ser muito ruim. Basta lembrar todo aquele furor da Belle Époque, com as idéias dos carros voadores e das máquinas que permitiriam ao indivíduo ter mais tempo para as artes, família, etc. Tudo isso devidamente interrompido pela Primeira Guerra Mundial, em que ocorreu o oposto: a tecnologia foi pesadamente usada para destruir, matar, torturar, enfim, acabar com o ser humano. Portanto, nada surpreendente Metropolis apresentar essa postura.
Com as novas mídias do século XX, a situação não foi bem assim, tão "flores".
O telefone, embora inventado no século anterior, teve sua massa crítica atingida no séc. XX, aumentando a capacidade de comunicação (no modelo 1/1). O rádio, idem ao telefone, só que no modelo 1/N. Televisão, a mídia de massa com imagens, solidificou o modelo de difusão 1/N.
Não é de se espantar que, com a alteração na dinâmica das cidades (e aqui, principalmente, as dos EUA), espalhando-se para os subúrbios (mudança possibilitada pelos carros agora mais baratos), acaba-se gerando um isolamento cada vez maior dentro da própria casa. O rádio e a televisão servem como fonte primária de notícias, atualizadas em "tempo real" (ao contrário do tradicional jornal impresso, com um delay típico de 1 dia).
Esse modelo de "isolamento" tem suas vantagens, ao obrigar uma separação entre o espaço do trabalho e o doméstico.
Com a telefonia móvel (final de 1970 e início de 1980), somada às tecnologias ligadas à informática, a década de 1980 experimenta o início de uma alteração na idéia de trabalho, abrindo a possibilidade de extensão da jornada de trabalho para o ambiente doméstico.
A década de 1990 marca a consolidação desse processo, com a supremacia do uso corporativo do e-mail e a disseminação do computador pessoal. Ou seja, agora você tem a possibilidade de, no conforto do seu lar, trabalhar em frente ao computador e enviar, sábados, domingos ou feriados, relatórios, análises, etc.
Com a maldição do Blackberry (e posteriores smartphones), caiu a barreira entre o trabalho e a residência. Tudo é trabalho ou, como adorariam os meus amigos adoradores do Spinoza, em potência.
Se em Metropolis eram 10 horas diárias, agora são até 12 ou 13, no escritório, além das restantes, pois é necessário que você esteja de stand by, com seu celular ligado ao lado de sua cama, para a eventualidade de alguém ligar.
O suporte para esta prática foi construído, ao longo do tempo, pelo discurso gerencial. Frases como "os mais fortes sobrevivem no mercado", "você tem que ser pró-ativo", "tem que ser criativo", dentre várias outras comuns no dia-a-dia do RH e da literatura gerencial de livraria de aeroporto são a dimensão perceptível de algo muito mais assombroso, já cantado pelos nossos colegas Foucault, Deleuze, Guattari, Negri, etc: a biopolítica (junto com o conceito de biopoder).
Vale lembrar que as técnicas agem de tal modo que você acaba acreditando na sua validade, na suposta imanência, sem sequer se pensar no motivo, na razão, na ideologia por trás de tudo (e sempre há uma ideologia por trás).
Interessante, percebi agora que há uma coisa coincidente: enquanto as técnicas agem sobre o "corpo e a alma", o que significa uma corporação? Do latim, corporis.
Bem-vindo a este mundo de permanente vigília. De liberdade vigiada; principalmente por você mesmo.
Havia comentado que em Metropolis, a fantástica obra do Fritz Lang (1927), uma jornada considerada cansativa pelo Freder tinha 10 horas de duração. Tema que será revisitado no igualmente clássico Tempos Modernos, de Chaplin, acho que de 1936 (ou por aí), de um modo hilário e sério, que só alguém do porte do Chaplin saberia fazer.
Na análise de Andreas Huyssen (1982) sobre Metropolis, comenta que há uma visão dupla em relação à tecnologia: algo que pode ser tanto positivo para a sociedade quanto algo que pode ser muito ruim. Basta lembrar todo aquele furor da Belle Époque, com as idéias dos carros voadores e das máquinas que permitiriam ao indivíduo ter mais tempo para as artes, família, etc. Tudo isso devidamente interrompido pela Primeira Guerra Mundial, em que ocorreu o oposto: a tecnologia foi pesadamente usada para destruir, matar, torturar, enfim, acabar com o ser humano. Portanto, nada surpreendente Metropolis apresentar essa postura.
Com as novas mídias do século XX, a situação não foi bem assim, tão "flores".
O telefone, embora inventado no século anterior, teve sua massa crítica atingida no séc. XX, aumentando a capacidade de comunicação (no modelo 1/1). O rádio, idem ao telefone, só que no modelo 1/N. Televisão, a mídia de massa com imagens, solidificou o modelo de difusão 1/N.
Não é de se espantar que, com a alteração na dinâmica das cidades (e aqui, principalmente, as dos EUA), espalhando-se para os subúrbios (mudança possibilitada pelos carros agora mais baratos), acaba-se gerando um isolamento cada vez maior dentro da própria casa. O rádio e a televisão servem como fonte primária de notícias, atualizadas em "tempo real" (ao contrário do tradicional jornal impresso, com um delay típico de 1 dia).
Esse modelo de "isolamento" tem suas vantagens, ao obrigar uma separação entre o espaço do trabalho e o doméstico.
Com a telefonia móvel (final de 1970 e início de 1980), somada às tecnologias ligadas à informática, a década de 1980 experimenta o início de uma alteração na idéia de trabalho, abrindo a possibilidade de extensão da jornada de trabalho para o ambiente doméstico.
A década de 1990 marca a consolidação desse processo, com a supremacia do uso corporativo do e-mail e a disseminação do computador pessoal. Ou seja, agora você tem a possibilidade de, no conforto do seu lar, trabalhar em frente ao computador e enviar, sábados, domingos ou feriados, relatórios, análises, etc.
Com a maldição do Blackberry (e posteriores smartphones), caiu a barreira entre o trabalho e a residência. Tudo é trabalho ou, como adorariam os meus amigos adoradores do Spinoza, em potência.
Se em Metropolis eram 10 horas diárias, agora são até 12 ou 13, no escritório, além das restantes, pois é necessário que você esteja de stand by, com seu celular ligado ao lado de sua cama, para a eventualidade de alguém ligar.
O suporte para esta prática foi construído, ao longo do tempo, pelo discurso gerencial. Frases como "os mais fortes sobrevivem no mercado", "você tem que ser pró-ativo", "tem que ser criativo", dentre várias outras comuns no dia-a-dia do RH e da literatura gerencial de livraria de aeroporto são a dimensão perceptível de algo muito mais assombroso, já cantado pelos nossos colegas Foucault, Deleuze, Guattari, Negri, etc: a biopolítica (junto com o conceito de biopoder).
Vale lembrar que as técnicas agem de tal modo que você acaba acreditando na sua validade, na suposta imanência, sem sequer se pensar no motivo, na razão, na ideologia por trás de tudo (e sempre há uma ideologia por trás).
Interessante, percebi agora que há uma coisa coincidente: enquanto as técnicas agem sobre o "corpo e a alma", o que significa uma corporação? Do latim, corporis.
Bem-vindo a este mundo de permanente vigília. De liberdade vigiada; principalmente por você mesmo.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Apple, Microsoft e a batalha de propagandas
Já havia me esquecido disso, mas acho que vale um post o terrível comercial da Microsoft sobre o grande novo produto, o Songsmith.
A julgar pelo comercial, o produto é indicado para pessoas idiotas e com sérios problemas de relacionamento social, que vivem em algum mundo entre Nárnia e Teletubbies (mais próximo do último, para honrar a memória do Lewis). Veja por conta própria e tire as conclusões:
O comercial também havia levantado um fato curioso: o uso de um macbook, ao invés de um PC. Claro que isso é interessante, principalmente porque a Microsoft gastou milhões contratando agências de publicidade nos últimos tempos para concorrer com a Apple, principalmente nas icônicas campanhas I'm a Mac x I'm a PC.
Bem, a Microsoft contratou Jerry Seinfeld - eu acho ele tão sem graça...mas tudo bem - para estrear o seu comercial junto com o simpático Bill Gates. É um dos comerciais mais sem sal (e sem sentido, e mais caros) que eu já vi:
Além de tudo...tcharam... uma boa parte da campanha recente da Microsoft foi feita utilizando softwares e máquinas da Apple!
Vai entender esse mundo...
Conforme definiu a MacMagazine...:
"Caso você seja uma daquelas pessoas que gostam de elevar a tortura ao estado de arte e premiar seus desafetos com coisas terrivelmente toscas e irritantes — que tal um DVD contendo todos os monólogos do último capítulo de A Favorita? —, então fique atento, pois a Microsoft desenvolveu a arma o software definitivo. O melhor de tudo é que, com ele, até uma menininha de voz irritante consegue compor músicas!"
Disclaimer: Não uso Mac.
A julgar pelo comercial, o produto é indicado para pessoas idiotas e com sérios problemas de relacionamento social, que vivem em algum mundo entre Nárnia e Teletubbies (mais próximo do último, para honrar a memória do Lewis). Veja por conta própria e tire as conclusões:
O comercial também havia levantado um fato curioso: o uso de um macbook, ao invés de um PC. Claro que isso é interessante, principalmente porque a Microsoft gastou milhões contratando agências de publicidade nos últimos tempos para concorrer com a Apple, principalmente nas icônicas campanhas I'm a Mac x I'm a PC.
Bem, a Microsoft contratou Jerry Seinfeld - eu acho ele tão sem graça...mas tudo bem - para estrear o seu comercial junto com o simpático Bill Gates. É um dos comerciais mais sem sal (e sem sentido, e mais caros) que eu já vi:
Além de tudo...tcharam... uma boa parte da campanha recente da Microsoft foi feita utilizando softwares e máquinas da Apple!
Vai entender esse mundo...
Conforme definiu a MacMagazine...:
"Caso você seja uma daquelas pessoas que gostam de elevar a tortura ao estado de arte e premiar seus desafetos com coisas terrivelmente toscas e irritantes — que tal um DVD contendo todos os monólogos do último capítulo de A Favorita? —, então fique atento, pois a Microsoft desenvolveu a arma o software definitivo. O melhor de tudo é que, com ele, até uma menininha de voz irritante consegue compor músicas!"
Disclaimer: Não uso Mac.
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DJ de papel passado
Curiosidade vinda direto da Folha de São Paulo: projeto de lei do senador Romeu Tuma (PTB/SP) quer regulamentar a profissão de DJ, exigindo para tal um diploma...
Por sinal, adorei essa parte da justificativa da senadora Rosalba Ciarlini:
"Infelizmente, os disc-jockeys (DJs) que conduzem os sons das
pistas de dança com a habilidade de quem conhece profundamente os ritmos
de danças e os efeitos sonoros que deixam o público extasiado, unindo som e
tecnologia para embalar casas noturnas, eventos e festivais não têm ainda sua
profissão regulamentada."
Para quem quiser acompanhar a matéria: PLS740/2007, no site do Senado.
Por sinal, adorei essa parte da justificativa da senadora Rosalba Ciarlini:
"Infelizmente, os disc-jockeys (DJs) que conduzem os sons das
pistas de dança com a habilidade de quem conhece profundamente os ritmos
de danças e os efeitos sonoros que deixam o público extasiado, unindo som e
tecnologia para embalar casas noturnas, eventos e festivais não têm ainda sua
profissão regulamentada."
Para quem quiser acompanhar a matéria: PLS740/2007, no site do Senado.
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sábado, 31 de janeiro de 2009
E-government (ou "ache o seu político")
Considerando que podemos ser achados pela Internet de modo fácil e rápido, ainda há uma classe que não tem muita conectividade: os políticos.
Honra seja feita: a ausência de conexão é com o cidadão, não com seu staff; com esses eles se comunicam diuturnamente através de e-mails, blackberrys, listas, etc. Mas com o cidadão...ish...
Na crescente onda wiki, ainda faltava o lado político da coisa. A Technology Review, do MIT, informa que existe nos EUA um grupo que está tentando coletar os dados de todos os políticos para disponibilizar os contatos, tanto por e-mail quanto os tradicionais, para que qualquer pessoa possa saber quem a representa. Ainda haverá uma funcionalidade para digitar seu CEP e descobrir quem é quem no seu bairro ou vizinhança. Uma espécie de "GoogleParlamentar".
Parece ser algo interessante, mas aqui em terras tupiniquins esbarra em alguns problemas:
1) embora o acesso à Internet seja cada vez maior, ainda há um alto contingente de pessoas que não têm acesso à rede;
2) mesmo que acessem, vários dados importantes não estão disponíveis na Web ou, quando estão, adotam a forma de um livro ritual de magia negra, cujo conteúdo é reservado aos iniciados (já tentou acessar um orçamento público e ver que "13.4400.2100.0000.12.1 - Empenho - Executado" não faz sentido algum para pessoas que têm Português como língua materna?)
3) os políticos não acessam seus e-mails oficiais....
Sim, é uma triste notícia, mas não adianta muito mandar para os e-mails oficiais. Dificilmente serão sequer lidos pelas respectivas assessorias de imprensa, muito menos pelos próprios.
Mas, sendo mais otimista, acho que a iniciativa de "todo poder ao cidadão" demonstra um caminho bastante positivo para o uso social e político, de fiscalização sobre quem está lá em cima mandando (com o nosso dinheiro e através do nosso voto).
Honra seja feita: a ausência de conexão é com o cidadão, não com seu staff; com esses eles se comunicam diuturnamente através de e-mails, blackberrys, listas, etc. Mas com o cidadão...ish...
Na crescente onda wiki, ainda faltava o lado político da coisa. A Technology Review, do MIT, informa que existe nos EUA um grupo que está tentando coletar os dados de todos os políticos para disponibilizar os contatos, tanto por e-mail quanto os tradicionais, para que qualquer pessoa possa saber quem a representa. Ainda haverá uma funcionalidade para digitar seu CEP e descobrir quem é quem no seu bairro ou vizinhança. Uma espécie de "GoogleParlamentar".
Parece ser algo interessante, mas aqui em terras tupiniquins esbarra em alguns problemas:
1) embora o acesso à Internet seja cada vez maior, ainda há um alto contingente de pessoas que não têm acesso à rede;
2) mesmo que acessem, vários dados importantes não estão disponíveis na Web ou, quando estão, adotam a forma de um livro ritual de magia negra, cujo conteúdo é reservado aos iniciados (já tentou acessar um orçamento público e ver que "13.4400.2100.0000.12.1 - Empenho - Executado" não faz sentido algum para pessoas que têm Português como língua materna?)
3) os políticos não acessam seus e-mails oficiais....
Sim, é uma triste notícia, mas não adianta muito mandar para os e-mails oficiais. Dificilmente serão sequer lidos pelas respectivas assessorias de imprensa, muito menos pelos próprios.
Mas, sendo mais otimista, acho que a iniciativa de "todo poder ao cidadão" demonstra um caminho bastante positivo para o uso social e político, de fiscalização sobre quem está lá em cima mandando (com o nosso dinheiro e através do nosso voto).
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Casado, solteiro, assassinado (Facebook/Orkut)
Outra daquelas insanidades que se vê ocasionalmente na Internet.
Enquanto nós colocamos amenidades como "estou me sentindo triste", "quero uma namorada", essas coisas, um britânico percebeu que sua noite ficaria mais interessante se ele saísse e matasse alguém; e escreveu isso no Facebook antes de sair de casa.
Essa semana teve aquele polonês que se matou em frente a uma Webcam, mantendo a série de suicídios "a la Big Brother", como esse na Flórida e do pai de família inglês.
Tem quase um ano que li o livro do Arthur Dapieve, o "Morreu na contramão: o suicídio como notícia", resultado da sua pesquisa de mestrado em Comunicação na PUC-Rio. É uma obra interessante, e o Dapieve aborda vários pontos de contato interessantíssimos. Isso me leva a tentar, sempre, talvez como um trauma sociológico, relacionar tudo à anomia (ou a uma eventual anomia).
Mas creio que não...acho que o buraco é mais embaixo. Trata-se de, em linguagem nua e crua, de apenas mais uma mídia para transmitir o suicídio, mídia esta que não existia nos tempos do jovem Werther. Para Goethe a solução foi usar o livro impresso e, ao que parece, dizem que o livro incitou vários jovens desolados amorosamente a cometer igualmente o suicídio.
Se é uma sociedade do espetáculo, pegando o termo emprestado do Debord, então seria razoavelmente esperado que também o suicídio (e a notícia dele) fizesse uso das mídias eletrônicas, agora existentes.
O que me intriga é o caráter de tempo real do acontecimento. Não basta que se tenha noticiado o seu suicídio, é necessário agora realizar um log disso. Fenômeno que vale a pena estudar a fundo.
Enquanto nós colocamos amenidades como "estou me sentindo triste", "quero uma namorada", essas coisas, um britânico percebeu que sua noite ficaria mais interessante se ele saísse e matasse alguém; e escreveu isso no Facebook antes de sair de casa.
Essa semana teve aquele polonês que se matou em frente a uma Webcam, mantendo a série de suicídios "a la Big Brother", como esse na Flórida e do pai de família inglês.
Tem quase um ano que li o livro do Arthur Dapieve, o "Morreu na contramão: o suicídio como notícia", resultado da sua pesquisa de mestrado em Comunicação na PUC-Rio. É uma obra interessante, e o Dapieve aborda vários pontos de contato interessantíssimos. Isso me leva a tentar, sempre, talvez como um trauma sociológico, relacionar tudo à anomia (ou a uma eventual anomia).
Mas creio que não...acho que o buraco é mais embaixo. Trata-se de, em linguagem nua e crua, de apenas mais uma mídia para transmitir o suicídio, mídia esta que não existia nos tempos do jovem Werther. Para Goethe a solução foi usar o livro impresso e, ao que parece, dizem que o livro incitou vários jovens desolados amorosamente a cometer igualmente o suicídio.
Se é uma sociedade do espetáculo, pegando o termo emprestado do Debord, então seria razoavelmente esperado que também o suicídio (e a notícia dele) fizesse uso das mídias eletrônicas, agora existentes.
O que me intriga é o caráter de tempo real do acontecimento. Não basta que se tenha noticiado o seu suicídio, é necessário agora realizar um log disso. Fenômeno que vale a pena estudar a fundo.
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