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sábado, 9 de maio de 2009

Sobre o workshop no curso de Formação

Conforme já havia comentado com vocês, meus inexistentes leitores, não sabia exatamente se o pessoal lá do formação Coppead havia entendido exatamente o que eu havia falado.
Acabei de receber o feedback. Mais confuso impossível.

Vou transcrever as respostas que recebi:

1. Não fala de maneira clara. Não se preocupou em deixar de falar termos
técnicos que o publico não entendia. Não conseguiu prender a atenção.
Palestrante confuso.
2. Achei a palestra muito interessante e o palestrante extremamente
competente na didática e conhecimento do assunto. Poderia ser o professor
da matéria Mkt Digital.
3. Excelente iniciativa. Grande palestra!
4. O palestrante teve dificuldade em passar conceitos relativamente simples e
não teve o controle da turma. Acho que faltou experiência de falar em
publico, mas o tópico é muito interessante e deveria ter sido melhor
aproveitado apresentando algumas técnicas que são utilizadas no mercado
como ferramentas de marketing, e não sites legais somente. Gostei muito
do caso, que representava justamente isso, mas não foi muito explorado.
Gostei muito das indicações de livro para leitura sobre o tema!
5. Professor com uma prepotência curiosa. Domina muito o assunto, passa
satisfação com o tópico, mas não percebi muita destreza em levar a turma a
uma melhor discussão a respeito do que era apresentado. Gostei do
conteúdo e procurei conversar durante a aula, mas não achei integrado com
a turma. Bom professor, bom assunto, “aula” poderia melhorar (participação
dos alunos e destreza do palestrante).
6. Muito bom palestrante e demonstra muito conhecimento.
7. A palestra surpreendeu minhas expectativas. O Pedro prendeu atenção da
turma e as trocas foram enormes, fazendo da palestra um bom bate papo
ampliador de conhecimento.
8. Não foi passado nada de diferente. O palestrante tinha um ar de
superioridade e usa termos técnicos que muitos desconheciam.

Em relação a:

1. Concordo. Poderia ter sido mais claro. Mas, se você faz a especialização em mkt e não entende alguns termos técnicos específicos da área, duas opções: pergunte qual o significado ou então veja na Wikipedia. Quando falei de Twitter metade das pessoas não tinham a menor idéia do que era. Sendo que havia passado uma mega reportagem no Fantástico sobre isso há uma semana. Se alguém ali pretende ser gestor de mkt, é bom inciar lendo os jornais.

2. Fico grato pela consideração. Embora ache que o prof. de mkt digital seja muito bom, reconheço que temos divergências quanto à abordagem do tema. Contudo, ele é muito mais experiente que eu.

3. Obrigado!

4. Reconheço. Tive dificuldades em passar conceitos simples. Vou ver se melhoro nisso. Não tive muito controle da turma, é verdade. Tento não me impor muito, mas acho que deveria ter expulsado de sala aquela garota que ficou trocando SMS com o colega no meio do workshop. Poderia ter passado algumas técnicas, verdade. O caso me daria base para isso. Contudo, perguntei sobre o caso para umas 5 pessoas aleatórias e ninguém leu porcaria alguma. Passei horas traduzindo aquele caso e o pessoal simplesmente desdenhou. Espero que no mercado de trabalho não façam isso com um briefing de um chefe, pois senão estarão todos demitidos. Fico feliz que tenham aproveitado as indicações de livros, são realmente bons.

5. Fiquei intrigado com a "prepotência curiosa". Tenho que melhorar isso, urgentemente. Vai ver que essa imagem que eu tento passar de pessoa legal não está dando certo. Vou acatar o conselho e praticar mais falar em público.

6. Obrigado. Era um pouco do que queria passar.

7. Agradeço imensamente, embora seja razoavelmente contraditório com outros comentários. Imagino que essa pessoa tenha se preparado antes da aula (pelo menos lido o caso).

8. Fico com medo dessa afirmação. A pessoa deve trabalhar na Frog ou então da Giovanni + DRAFTFCB, para conhecer todos os detalhes das mídias emergentes. Na próxima vou tentar explicar melhor todos os termos técnicos, já que parece que foi o ponto fraco do workshop. Tenho que melhorar essa imagem de superioridade....

No overall: depoimentos contraditórios, mas fiquei acima da média, segundo as avaliações. Vou tentar melhorar. Aos alunos: boa sorte na vida profissional. Os únicos problemas da turma de vocês:

a) troca insistente de SMS na sala de aula. Isso irrita profundamente e demonstra uma imaturidade da parte de vocês;

b) falta de preparação prévia. Se alguém ali pretende fazer uma pós graduação séria, isso é ponto crítico e mortal. Se fosse um curso stricto sensu já estariam reprovados ou algo quase como isso. Além de ser uma falta de consideração comigo, que passei algumas horas traduzindo um texto americano e pedindo autorização de uso - quase ninguém leu.

c) falta de conhecimento de alguns termos técnicos. Embora reconheça que peguei pesado em algumas coisas (como hipertexto, emergência de mídias, etc.), em outras parti do pressupostos que vocês sabiam, como Twitter, Last.fm, etc. Não há desculpa. São futuros gestores de mkt. Não vão chegar muito longe se não começarem a procurar informações sobre o mundo que os cerca.

d) modelos. Poderia ter dado os modelos existentes de métricas digitais. Um problema apenas: eles não são confiáveis ou sequer existem. Nesse ponto, posso fazer que nem a PUC, que dá o modelo das 5 forças do Porter como algo extremamente inovador e válido. Quem conseguir criar uma métrica confiável está empregado, ganhando um bom dinheiro.

De resto, estou disponível para quaisquer dúvidas que restaram.

Abraços

Pedro

sábado, 4 de abril de 2009

Palestra do Coppead

Acabei de voltar lá da Escola de Guerra Naval, numa localização idílica na Urca. Fui proferir uma lecture introdutória com o título "Marketing em plataformas digitais", para o pessoal do curso de formação - ou seja, no final da faculdade ou com pouco tempo de experiência profissional.
Foi uma experiência interessante, pois não tenho muita prática nisso (estou mais acostumado a ser sabatinado por uma banca, perguntando detalhes como notas de rodapé, tal qual minha dissertação). A turma parece ser boa, só não sei se consegui alcançar o âmago da questão.

Redes sociais são coisas complexas. Assim como o ser humano é complexo. No fundo, resume-se a questão em uma análise muito mais psicanalítica (relacionada a medos, frustrações, receios, etc.) que propriamente o conceito.

Há vários caminhos para abordar o tema. Óbvio que seria muito mais fácil apontar quatro ou cinco modelos para as redes sociais. Inclusive uma aluna abordou isso: como medir? Realmente...é o x da questão. Não existem métricas que (pelo menos no que acredito) traduzam corretamente a essência das redes sociais. O conceito de ROI, metas, etc., que no cotidiano do Marketing são dados essenciais, ficam extremamente prejudicados.

Por exemplo: como vou medir a "eficácia" do Twitter? Como ter metas em blogs? Tipo...falo métricas efetivamente com consistência, não coisas jogadas ao ar. Ela me informou algo interessante, que alguns players brasileiros (cariocas, especificamente) já estão nesse processo de criação das métricas para essas novas redes. Tenho minhas reservas, claro, mas acho que é um passo importante nesse sentido. Vou pesquisar sobre isso. Acho que vale até escrever um ensaio sobre essa lacuna metodológica.

Como sou partidário dos pós-estruturalistas (mesmo que muitos recusem essa denominação), tenho sérios problemas com essas coisas de "7 métodos infalíveis", principalmente se estamos tratando de pessoas, não de íons em uma escala.

No fundo, tentei mostrar durante duas horas que o problema a ser investigado é muito mais no aspecto do momento do "consumo" da informação que propriamente a plataforma. Comete-se rotineiramente esse desvio. São aplicados modelos que até funcionam bem para um jornal impresso, por exemplo, de modo inadaptado, uma transliteração, um transplante, direto para outros meios. Pensar a mídia é uma tarefa complexa, porém muito boa e que recompensa.

Espero que o pessoal tenha gostado; sinceramente, não sei se agradei. Mas pelo menos acho que a reflexão acerca do conceito de mídia em si (principalmente em plataformas digitais) foi colocada como uma questão relevante.